Gente amiga, quero
falar do que aconteceu comigo no ano de 2010. Um testemunho, talvez...
Um desabafo, talvez... Algo muito sério que mudou meu modo de enxergar as
coisas e as pessoas.... Até aquele ano, eu era um fariseu, santarrão, radical,
religioso, ortodoxo... e tudo nessa linha de pensamento... até que a Graça de
Jesus me libertou dessa escravidão moralista, hipócrita.
Para resumir rapidamente
meu caminho de fé, nasci num lar católico romano e vivi nessa linha até os quinze
anos de idade. Logo depois da minha “primeira comunhão”, e, devido eu discordar
de coisas dentro do catolicismo, decidi me tornar deísta-agnóstico. Essa situação
deísta-agnóstica perdurou por quinze anos. Aos 30, devido a um pecado terrível
em minha vida, busquei a Deus numa igreja protestante, pois sabia que meu
problema só poderia ser resolvido por algo superior. Sabia que existia “um Deus”
e que somente Ele poderia resolver coisas
da carne e da alma. Realmente encontrei Jesus e as Escrituras. Me apaixonei.
E pedi a Deus que me desse o dom de evangelista, para que eu pudesse divulgar
tudo aquilo que estava descobrindo e amando... Algo como a parábola do homem
que encontra um tesouro num campo e, transbordante de alegria, vende tudo para adquirir
o campo (Mt 13:44). Porém, o protestantismo me tornou um ser religioso,
fariseu, legalista, santarrão, batistão, separatista, ortodoxo, idólatra do
livro, da denominação e do sistema religioso puritano... O problema é que a
gente não se enxerga quando está dentro desse sistema... Só Deus mesmo para nos
dar um choque de realidade... Gostaria que tivesse sido como foi com o apóstolo
Paulo... impactante... que ficou cego por três dias após uma visão do Senhor...
Penso que é melhor ficar cego por três dias do que a vida toda!!! Não é verdade...?
Quando a gente entra
num sistema religioso, seja ele qual for, a gente recebe um pacotão de regras e
doutrinas que começamos a seguir e imitar sem se dar conta do clone que estamos
nos tornando. Daí, tudo que seja diferente das normas e costumes daquele grupo passa
então a ser considerado ímpio, mundano, diabólico... e aprendemos a rotular e prejulgar
conforme esse sistema. Algo bem semelhante aos radicais islâmicos de hoje... apenas com uma roupagem mais equilibrada e educada, mas no íntimo, o coração continua julgador,
preconceituoso e farisaico.... Coisas que Jesus combateu em sua época. Porém, a
gente não enxerga que esse padrão religioso é semelhante ao dos escribas e fariseus
do Novo Testamento. E o pior é que a gente acha que isso é certo!
Quando estamos com
essa mente religiosa, não conseguimos enxergar a graça de Deus nos outros. Sempre
enxergamos as outras pessoas com preconceito, pois comparamos e julgamos pela
aparência, pelos títulos, pelos rótulos, pela falta ou não do nosso padrão
religioso nos outros etc. Sequer temos a paciência para conhecer melhor a outra
pessoa... seus traumas, sua história, suas lutas... Jesus disse: “não julgai
pela aparência, mas pela reta justiça”.
A parábola do fariseu
e publicano retrata bem esse perfil. O religioso confia em suas obras e na
quantidade do que faz.... número de orações diárias e na fidelidade dos dízimos... Enquanto
que olha para o lado e classifica o outro como “publicano” e diz em sua oração:
“Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores,
injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano” (Lc:18:11). Caramba! Que horrível!!!!
Isso era eu! Observe que o fariseu dá graças a Deus em sua oração, mas isso é
só teoria, no fundo ele confia em si mesmo e nos seus rituais religiosos!
Nos Evangelhos, Jesus diz
que muitos virão do oriente e do ocidente e se assentarão à mesa com Abraão,
Isaque e Jacó no reino dos céus, enquanto que muitos religiosos, que se
consideram justos, santos e salvos ficarão de fora... O que encontramos na
Bíblia é que Jesus não veio fundar religião. Pelo contrário, ele veio nos
trazer um caminho de liberdade e paz.
Ele veio derrubar as barreiras
religiosas e abolir a Lei de
Moisés que separava as pessoas, grupos e etnias. Confira em Efésios 2:14-16,
Colossenses 2:14, Gálatas 3:25. Muita gente acha estranho quando eu digo que
Jesus veio abolir a Lei de Moisés... mas é isso mesmo que está escrito... Nossa
mente religiosa é que não nos deixa largar a Lei de Moisés e confiar só em
Cristo... Alguns já correm e pegam sua bíblia para apontar o versículo de
Mateus 5:17 que diz: “Não penseis que
vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir”. Mas se esquecem de ler o restante do
texto e enxergar “até que tudo se cumpra” ... e ligar o texto ao contexto do
Novo Testamento quando Jesus grita na cruz: “Está cumprido!” ... assim como na
carta aos Romanos, Gálatas, Hebreus...
A história se repete...
a mente religiosa continua criando os barracos para dividir as pessoas... seja
pelo batismo, pela ceia, por comidas, por bebidas, por dia sagrados, por hierarquias, poderes, vaidades, regras e doutrinas... Imagine o quanto foi difícil para uma
pessoa do judaísmo abandonar sua religião e seguir a Cristo; vejo a mesma dificuldade
de uma pessoa do cristianismo largar sua religião para segui-lo também... Não
nos damos conta que a religião só mudou de nome, mas o perfil continua o
mesmo... a necessidade de mudança continua a mesma... o orgulho religioso
continua o mesmo... o ser humano continua o mesmo... os motivos são os mesmos...
os pecados são os mesmos...
Eu concluo dizendo que
foi muito bom eu ter me libertado desse padrão religioso... Vivo o Evangelho da
Graça com liberdade e sem culpa. Hoje eu consigo olhar para um outro ser
semelhante a mim, com seus problemas e dificuldades, e não condená-lo em meu
coração, nem achar que ele é do "mundão". Enxergo-o com amor e compaixão... Não uso mais a Bíblia como se
fosse o código penal ou uma metralhadora para atacar as pessoas... Hoje eu consigo sentar com minha
mãe querida e passar a tarde toda conversando, falando do amor de Deus e
explicando coisas que estão na Bíblia sem a neurose de querer convertê-la, nem
achar que ela vai pro inferno por não se tornar uma “crente” da minha
denominação... Também consigo conversar com um ateu, agnóstico, budista, ou de
qualquer religião, sem a neurose de querer empurrar a bíblia de garganta abaixo...
Vivo como o apóstolo Paulo disse em sua carta aos coríntios, como uma carta
viva, escrita em nosso coração, conhecida e lida por todos os homens.
Hoje, muitos me
questionam e me julgam do porquê eu “desviei” e fui me envolver com o Pr. Caio Fábio, tornando-me um herege como ele...
Pois bem, agradeço a Deus por ter usado o Caio para me dizer e me fazer reconhecer
que o fariseu das histórias do Novo Testamento era EU!
Um abraço
Lincoln Máximo Alves
Setembro/2015

