Aula 31
Texto para leitura: Apocalipse
capítulo 19
O capítulo
começa com um brado de “Aleluia!”, glorificando
a Deus pela vitória sobre a Babilônia, a Grande Prostituta, que tinha
corrompido a terra com seus pecados e derramado o sangue dos servos de Deus.
Essa
grande prostituta, o sistema religioso, político e econômico que dominou o
mundo e ostentou sua riqueza, poder e luxúria, entra em colapso. Na segunda
vinda de Cristo esse sistema estará completamente destruído.
No verso quatro, aparecem novamente os
vinte e quatro anciãos e os quatro seres viventes que estudamos no início do
livro. Eles louvam a Deus pela vitória:
a) Quatro seres viventes à aqui se interpreta como anjos da classe dos
Querubins, que ficam ao redor do Trono de Deus como descritos no livro de
Ezequiel 1.5-12, 10.1-22. Porém, outros intérpretes acham que os quatro seres
viventes são uma representação dos quatro evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e
João). Outros interpretam como sendo a natureza perfeita de todas as criaturas
da terra, representada pelo leão, boi, homem e águia.
b) Os vinte e quatro anciãos à aqui se interpretam como doze patriarcas do
Antigo Testamento e os doze apóstolos do Novo Testamento, ou seja, representam
o povo de Deus de todas as épocas.
Nos versos cinco e seis, há uma voz que vem do trono pedindo para que todos
os servos de Deus entoem louvores, e esse pedido é respondido por uma multidão
que exalta ao Senhor por sua vitória e pelo seu reinado.
Em seguida é dito que para
todos os servos de Deus se alegrem e deem glória pelo tão esperado momento, as bodas do Cordeiro. A noiva (igreja)
já está pronta para encontrar-se com o Noivo (Cristo). São colocadas vestes de
linho fino, que representam as boas obras dos santos (v.8).
Feliz
é aquele que foi chamado a participar da Ceia
de Núpcias do Cordeiro. Ali todos os crentes do mundo e de todas as épocas
se encontrarão. Iremos nos encontrar com Jesus e também com todos os
personagens históricos. Todos aqueles que por meio da fé, foram lavados e
remidos pelo sangue do Cordeiro.
Para
compreendermos melhor essa figura de linguagem entre Cristo e a Igreja, simbolizados pelo Noivo e Noiva, resumiremos a seguir o costume do casamento Judeu:
- Noivado - era algo mais profundo do que esse compromisso significa para nós. A obrigação do matrimônio era aceita na presença de testemunhas e a bênção de Deus era pronunciada sobre a união. Desde esse dia o noivo e a noiva estavam legalmente comprometidos.
- O intervalo - Durante o intervalo o esposo paga ao pai da noiva um dote.
- A procissão para a casa da noiva - Ao final do intervalo o noivo sai em procissão para a casa da noiva. A noiva se prepara e se atavia. O noivo em seu melhor traje é acompanhado de seus amigos que cantam e levam tochas e seguem em direção à casa da noiva. O noivo recebe a noiva e a leva em procissão ao seu próprio lar.
- Finalmente, as bodas - As bodas incluem a festa das bodas que duravam sete dias.
Agora
a igreja está desposada com Cristo. Ele já pagou o dote por ela. Ele comprou a
sua esposa com seu sangue. O intervalo é o período que a noiva tem para se
preparar. Ao final desse tempo, o noivo vem acompanhado dos anjos para receber
a sua noiva, a igreja. Agora começa as bodas. As bodas continuam não por uma
semana, mas por toda a eternidade.
No verso dez, João se lança ao chão para
adorar o anjo que lhe anunciava as coisas. Porém, lhe é proibido fazer isso.
Aqui nos é ensinado que não devemos adorar a nenhuma criatura de Deus, somente
ao Criador. Isso também é repetido em Apocalipse 22:8-9, onde João faz outra
tentativa de adorar o anjo e novamente lhe é proibido.
A partir do verso onze, João vê Jesus assentado
sobre um cavalo branco preparado para julgar. Seu manto está sujo de sangue e tem
um nome que ninguém conhece, senão ele mesmo. Em seguida ele vê que o cavaleiro
é o Verbo de Deus. Ele vem seguido
por um exército que também está montado em cavalos brancos. Um exército de
anjos que descerá com Cristo. Os salvos que estiverem na glória virão com ele
entre nuvens. Todos como vencedores, montados em cavalos brancos. Todos com
vestiduras brancas. Outrora, a nossa justiça era como trapos de imundícia, mas
agora, vamos vestir vestiduras brancas. Somos justos e vencedores.
É
dito também que Jesus reinará sobre as nações com vara de ferro e com a
espada da sua boca. Isto significa que Jesus irá agir com dureza contra as
nações pecadoras. Jesus volta como juiz e não mais como um cordeiro. Ele agora
agirá com o Rei dos reis e Senhor dos senhores. Jesus destruirá todos aqueles
que destroem a terra.
A besta e os reis da terra reúnem seus exércitos para
tentarem um último ataque, mas sem sucesso. A besta e o falso profeta serão os
primeiros a serem presos e lançados vivos no lago de fogo (O Geena) (v.20) Os demais, ou seja, os ímpios serão
mortos pela Palavra de Jesus (v.21), e ressuscitados somente no final do
milênio (Ap 20.5).
O lago de fogo é a segunda morte, ou seja,
a separação definitiva de Deus. Existe certa confusão no meio cristão sobre o
significado de Inferno (gr. hades,
lugar dos mortos) e Lago de Fogo (geena).
Isso é devido algumas Bíblias traduzirem os dois termos originais pela mesma
palavra “Inferno”. Isso acabou gerando essa confusão. A Bíblia diz que até mesmo
o Hades (inferno) será lançado no Lago de Fogo (Ap 20.14). Isso
significa que o Inferno é um lugar de sofrimento temporário das almas dos
ímpios, sem o corpo (veja a parábola do Rico e Lázaro, Lc 16.19-31). Mas não é o Purgatório, como ensinado
na doutrina Católica, onde é dito que há possibilidade de “se pagar os pecados”
para sair de lá. Hades é um estado
intermediário, onde as almas já estão recebendo um juízo temporário e aguardam
o julgamento final. No julgamento final, as almas serão reunidas aos seus
corpos ressuscitados e lançados definitivamente no Lago de Fogo. Para se
conferir isso, basta observar nas línguas originais, no Novo Testamento, quando
se refere à alma e corpo no sofrimento é utilizado o termo “Geena”. Quando a Bíblia se refere a sofrimento
da alma sem o corpo, é utilizado o termo “hades”.
No
próximo capítulo, estudaremos mais sobre o Inferno, Lago de fogo e
também sobre o Milênio, que é outro assunto que possui divergências
entre os estudiosos da Bíblia.