Aula 27
Texto para leitura: Apocalipse
capítulo 15
João vê outro grande sinal no céu anunciando a última série
de sete castigos que serão lançados sobre a terra. Sete anjos com as sete
últimas pragas estão prontos para concluir a ira de Deus. O capítulo 15 é uma
preparação para os capítulos seguintes. Lembremo-nos que a sétima trombeta,
estudada no capítulo 11, aponta o fim das oportunidades, mas não é um dia, mas
"dias" (10:7), visto que a sétima trombeta trazem os sete flagelos ou
sete taças da ira de Deus (15:1).
Em seguida João vê uma multidão. Quem é
essa multidão? São aqueles que
venceram a besta e a sua imagem. São todos aqueles que rejeitaram adorar a
besta e receber a marca. Se tivessem conservado a vida e sido infiéis na Fé
teriam sido derrotados. Assim, os vencedores da besta são aqueles que amaram
mais o Senhor do que suas próprias vidas. Eles perderam a vida, mas não se
dobraram a adorar a besta. A Bíblia diz que são bem-aventurados aqueles que
morrem no Senhor (Ap 14:13). Jesus disse que quem quiser salvar a sua vida,
perdê-la-á; e quem a perder por amor a Ele, de fato a salvará (Lc 17:33; Mt
10:39; Mc 8:35).
O que essa multidão está fazendo? Eles estavam com
harpas louvando a Deus entoando um hino de glória ao Senhor, todo poderoso. No
céu há muita música. A música do céu glorifica tão somente o Senhor. Vamos nos
unir aos coros angelicais e cantar ao Senhor para sempre.
Que música essa multidão está cantando? O cântico de
Moisés e do Cordeiro. O êxodo é um símbolo e tipo da redenção que temos em
Cristo. Assim como Moisés triunfou sobre Faraó e suas hostes, a igreja triunfa
sobre o diabo e suas hostes. Esse é um cântico de vitória! Assim como Moisés
tributou a vitória a Deus (Ex 15:1-3), os remidos também o fazem (Ap 15:3-4).
Quais são as características
do cântico vitorioso dos remidos? Os mártires não cantam sobre si mesmos e
como venceram a besta. Antes, eles estão totalmente concentrados em glorificar
a Deus.
O céu é o lugar onde os homens são capazes de esquecerem de si
mesmos, de seus títulos, de suas conquistas e vitórias e tão somente glorificar
a Deus. Quando você contempla a Deus na sua glória, nada mais importa. Diante
da glória de Deus, os mártires esquecem-se de si mesmos e exaltam somente o
Senhor. No céu entenderemos que nada mais importa, exceto Deus.
O que o cântico
exalta? Podemos dividi-lo em seções:
- Deus é Senhor Todo-Poderoso (v.3) - Isto está em contraste ao trono do Dragão, seu poder e autoridade (13:2) e grande e universal poder da besta (13:4,7,8). O diabo é poderoso, mas só Deus é o Senhor Todo-poderoso. Só ele recebe exaltação para sempre.
- Deus é o Rei das Nações (v.3) - O rei das nações não é a besta (13:7), mas o Senhor Todo-poderoso (15:3).
- Deus é temível e digno de glória (v.4) - A grande pergunta era: "quem é como a besta?”. Agora, a questão é: "quem não temerá e não glorificará o teu nome, ó Senhor?". É o temor irrestrito, acima de qualquer respeito a governantes terrenos.
- Deus é Santo (v.4) - A santidade de Deus é única, singular e é ela que atrai todas as nações.
- Elas são grandes e admiráveis (v.3) - O universo está nas mãos do Senhor. Ele é quem salvou o seu povo e quem castiga os ímpios. Deus é inescapável. Quando ele age ninguém pode impedir a sua mão.
- Os atos de justiça de Deus se fizeram manifestos (v.4) - Deus aplicou a sua justiça quando resgatou os seus eleitos por meio do sacrifício do seu Filho e aplicou sua justiça condenando os impenitentes à condenação eterna
- Eles são justos e verdadeiros (v.3) - Os caminhos de Deus são a forma de Deus agir.
- Ele nunca pode ser acusado de injustiça nem de meios ilegítimos. Seus caminhos são justos e verdadeiros tanto na salvação dos eleitos, como na punição dos impenitentes.
- Os ímpios foram avisados pelas trombetas, mas não se arrependeram. Assim, os flagelos finais sobre os ímpios serão absolutamente justos.
- Todas as nações virão e adorarão diante dele (v.4) - Isto está em contraste com a adoração universal da besta (13:7-8). As nações vão se prostrar diante do Deus Todo poderoso. Todo joelho vai se curvar diante de Jesus (Fp 2:8-11). Só ele é exaltado eternamente.
Os sete anjos do flagelo saem do Santuário de Deus (v.5-6). O santuário era o lugar da habitação de Deus com o povo (Ex 25:8). No lugar santíssimo ficava a arca com as Tábuas da Lei. Isso significa que os anjos saem do lugar onde ficava a Lei de Deus. Saem para demonstrar como funciona a Lei de Deus. Saem para demonstrar mediante a vingança divina que nenhum homem ou nação pode desafiar impunemente a vontade de Deus. Ninguém pode desobedecer a Lei de Deus sem sofrer o castigo da Lei. Aqui "Santuário" designa morada de Deus, o céu. Esses anjos vêm da presença de Deus e servem a Deus quando derramam os juízos. A igreja jamais deve duvidar disso.
Os cálices de ouro
que os anjos trazem estão cheios da ira de Deus (v.7). Essas sete taças da
ira de Deus estão cheias e elas atingem o mundo inteiro: a terra, o mar, os
rios, os astros, os homens, o ar. Ninguém pode esconder-se do Deus irado. Esse
dia será dia de trevas e não de luz. Os homens desmaiarão de terror. A justiça
de Deus é vingar as injustiças dos homens e ninguém pode deter esse juízo nem
desvia-lo.
Os anjos do juízo saem do santuário cheio da fumaça
inacessível da glória de Deus (v.8). Quando o tabernáculo ficou pronto no
deserto a glória de Deus o encheu (Ex 40:34-35), e Moisés não pôde entrar.
Quando o templo de Salomão foi consagrado, a gloria de Deus o encheu (1 Rs
8:10-11) e os sacerdotes não puderam entrar. Quando Isaías viu a Deus no
santuário, a gloria de Deus o encheu (Is 6:4), e as bases do limiar se moveram.
Quando Ezequiel viu a gloria de Deus encher o templo ele caiu com o rosto em
terra (Ez 44:4).