Texto para leitura: Apocalipse
capítulo 16
No capítulo 15 vimos uma introdução às setes taças da ira de
Deus. Vimos também os vitoriosos que venceram a Besta e a sua imagem e não
puseram a sua marca de identificação. Entendemos que os verdadeiros cristãos
não se submeterão ao governo do Anticristo. Os servos de Deus serão duramente
perseguidos e, mesmo diante da morte, não se entregarão. Eles entoarão louvores
a Deus no céu. Serão martirizados pela Besta e pelo falso profeta, mas
receberão a vitória do Senhor. Os fieis sofrerão por não participar do sistema
comercial controlado pelo maligno.
A humanidade está dividida entre os selados de Deus e os
selados da besta. Entre os seguidores do Cordeiro e os seguidores do dragão.
Entre os que estão diante do trono e aqueles que serão atormentados eternamente.
Neste capítulo 16 encontraremos os detalhes de cada uma das
sete taças. Essas setes taças completam a ira de Deus. Muitos pensam assim: “Como Deus pode ter ira? Ele não é amor e
misericórdia?”. Nossa compreensão, supostamente tão profunda, da mensagem
de amor do Evangelho nos torna superiores diante da ideia do juízo. Presumimos
que de forma alguma nos acontecerá algo realmente terrível. O ser humano tem a
tendência de querer sempre se justificar. Mas, Deus é um juiz justo. Ele não punirá ninguém erradamente, tenha
certeza disso. Repetidas vezes encontramos nas Escrituras a frase “Justo és Senhor, verdadeiros e justos são
os teus juízos”. Deus não deixará impune a injustiça dos homens. Aquele que
se arrepender de seus pecados receberá misericórdia. Veremos a seguir, que
muitos homens, mesmo diante da tribulação, não se arrependerão dos seus pecados
e não glorificarão a Deus.
Vejamos uma comparação entre as Trombetas (estudadas no
capítulo 8) e as Taças:
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As
Trombetas
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As
Taças
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1ª – Terça parte da terra (8:7)
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1ª – Adoradores da besta na terra (16:1-2)
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2ª – Terça parte do mar se torna em sangue (8:8-9)
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2ª – O mar se torna em sangue (16:3)
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3ª – Terça parte dos rios e das fontes se
torna amargosa (8:10-11)
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3ª Os rios e as fontes se tornam em sangue (16:4-7)
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4ª – Terça parte do sol, da lua e das estrelas
escurece (8:12)
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4ª – O sol queima os homens com fogo (16:8-9)
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5ª – O rei dos gafanhotos traz escuridão e tormento
aos homens ímpios (9:1-11)
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5ª – O reino da besta se torna em trevas; os
homens ímpios sofrem dor (16:10-11)
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6ª – Os anjos atados junto ao Eufrates soltam o exército
(9:13-19)
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6ª – O Eufrates seca para preparar o caminho dos
reis para a peleja (16:12-16)
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7ª – Cumprir-se-á o mistério de Deus (10:7); Chegou
a ira de Deus contra as nações para destruir os que
destroem a terra; Relâmpagos, vozes, trovões, terremoto e grande
saraivada (11:15-19)
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7ª – Feito está! (16:17); Caíram as cidades
das nações; Deus dá o cálice da sua ira; Relâmpagos, vozes,
trovões e terremoto (16:18-19)
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Algumas dessas pragas nos lembram das pragas que Deus enviou
para castigar os egípcios quando Moisés foi libertar o povo de Israel. Enquanto
as trombetas eram alertas de Deus ao mundo ímpio, as taças falam da cólera
consumada de Deus. É um princípio constantemente repetido e enfatizado nas
Escrituras, que Deus sempre adverte antes de finalmente punir (dilúvio, Sodoma,
Egito, Jerusalém, juízo final).
Enquanto as trombetas causaram tribulações parciais,
objetivando trazer ao arrependimento os impenitentes, as taças mostram que a
oportunidade de arrependimento estava esgotada. As trombetas atingiram apenas
um terço da natureza e dos homens, as taças trazem uma destruição completa.
A primeira taça
(16:1-2). Esse primeiro flagelo não é mais advertência, mas punição. Todos
aqueles que não têm selo de Deus, são selados pela besta. Não há meio termo.
Quem não é por Cristo, é contra ele. Não há neutralidade em relação a Deus. No
tempo do fim a religião não será mais algo nominal: todo mundo terá de declarar
lealdade ou a Cristo ou ao Anticristo.
A segunda taça (16:3). O mar é atacado. Os seres que vivem no mar
são mortos. Isso causa consequências terríveis para a subsistência do homem.
Alguns comentaristas que não seguem a linha literal consideram aqui uma simbologia
da sociedade mundana e nações rebeldes, e não um ataque à natureza. Porém, como
na primeira praga no Egito, que foi literal, causou a morte dos peixes (Ex
7:1-25), este flagelo causa a morte dos seres viventes no mar.
A Terceira taça (16:4-7). Os rios são atacados. O problema para o
sustento humano fica cada vez pior. Sem água potável é quase impossível de
sobreviver. As consequências são devastadoras.
Aqui o texto diz que o Senhor está retribuindo o sangue dos santos e
profetas que foi derramado pelo inimigo. Observemos no texto que o Anjo das
águas adora ao Senhor e afirma: “Justo és
tu, ó Senhor, que és, e que eras, e hás de ser, porque julgastes estas coisas”(v.5).
E outro ser do altar diz: “Na verdade, ó
Senhor Deus Todo-Poderoso, verdadeiros e justos são os teus juízos” (v.7).
A quarta taça (16:8-9). O sol é atacado. Os homens começam a sofrer
intenso calor. Atualmente já estamos sofrendo com o efeito estufa. Em alguns países, anualmente, pessoas morrem de
calor. Estamos vendo algo literal acontecendo com o nosso planeta. É por
isso que cremos na literalidade do texto bíblico. Seguimos esse método
interpretativo porque nos baseamos nos acontecimentos do passado e profecias
que foram cumpridas literalmente. Muitos escribas e fariseus alegorizaram as
Escrituras e não reconheceram quando o Senhor apareceu e as cumpriu
literalmente.
O castigo vem por causa da
injustiça dos homens, mas os ímpios ainda ousam levantar as suas vozes contra o
Senhor (v.9). O sofrimento entrou no mundo por causa do pecado do homem, mas
muitos usam a dor como motivo de questionar a justiça e negar a bondade de
Deus. Alguns até rejeitam a existência de Deus por causa da injustiça do homem!
Em vez de buscar perdão e
clemência, os homens blasfemam o nome do Senhor. E nem se arrependeram para lhe
darem glória. Da mesma maneira que Faraó endureceu seu coração depois das
pragas no Egito (Êxodo 7:22; 8:15,19,32; 9:7,12,34-35; 10:1,20,27; 13:15), este
povo recusa a se arrepender. Não aceitaram o castigo como disciplina (3:19;
Hebreus 12:5-6), e sim como motivo para rejeitar o Senhor. Quando pessoas hoje
usam o sofrimento como motivo para negar a existência de Deus, cometem o mesmo
erro fatal. Independente da fonte do sofrimento, devemos usá-lo para nos
aproximar de Deus (Tiago 1:2-4; 2 Coríntios 12:7-10).
A quinta taça (16:10-11). O trono do Anticristo é atacado. O
reinado do Anticristo começa a decair. O sofrimento invade seus seguidores com
dores intensas. E por causa dessas dores eles blasfemam contra Deus e não se
arrependem. Os homens não são santificados por meio do sofrimento, ao
contrário, se fazem ainda mais iníquos e blasfemam contra Deus.
A sexta taça (16:12). O grande rio Eufrates é atacado. Sua água
secou-se, dando abertura para os reis do oriente. Entendemos que esse verso
profetiza sobre a preparação para a batalha que virá a seguir.
Deus fez secar o mar Vermelho.
Fez secar também o rio Jordão em tempo de enchente (Josué 3). Vai fazer secar
ainda o Eufrates, o grande rio de 2.780 km de comprimento, de 3 a 10 metros de
profundidade e de 200 a 400 metros de largura. Esse rio se situa entre três
países: Síria, Turquia e Iraque. São países de cultura islâmica e inimigos de
Israel.
Os versos 13 e 14 nos informam sobre a tríade do mal: o dragão, a
besta e o falso profeta no seu esforço de seduzir e ajuntar os reis da
terra contra o Senhor. Quando Satanás e o mundo se armarem na sua luta mais
terrível contra a igreja, Cristo aparecerá para livrar o seu povo e triunfar
sobre os seus inimigos. Esses espíritos imundos representam ideias, planos,
projetos, métodos satânicos introduzidos dentro da esfera do pensamento e ação.
Essa batalha das nações contra Cristo e sua igreja e de inspiração satânica.
O verso 15 faz um parêntese para lembrarmos da vigilância e da
fidelidade dos santos. Antes de deixar João continuar o relato do trabalho dos
espíritos imundos, Jesus interrompe com uma mensagem de exortação aos fiéis: Eis que venho como vem o ladrão. A
figura do ladrão é utilizada na Bíblia para enfatizar o julgamento repentino e
a falta de preparo das pessoas julgadas. Representa as consequências naturais
do pecado e da negligência nesta vida, como também a vinda do Senhor para
julgar (Lucas 12:35-40; Mateus 24:42-43; 1 Tessalonicenses 5:2-4; 2 Pedro 3:10;
Apocalipse 3:3). A ênfase está na preparação para a chegada do Senhor.
O verso 16 nos fala do Armagedom,
que significa “montanha de Megido”: lugar de muitas batalhas decisivas em
Israel. Armagedom é um símbolo, mais do que um lugar. Fala da batalha
final, da vitória final, quando Cristo virá em glória e triunfará sobre todos
os seus inimigos.
A sétima taça (16:17-21). O ar é atacado. Uma voz ressoa do templo
do céu dizendo: “ESTÁ FEITO!”. Deus completa sua justiça. Um terremoto de
grandes proporções acontece que abala todas as cidades de todas as nações
(v.19). A terra se move completamente (v.20). No livro do Profeta Isaías está
escrito sobre o dia da ira do Senhor (Isaias 13:9-13):
9 Eis
que vem o Dia do SENHOR, dia cruel, com ira e ardente furor, para converter a
terra em assolação e dela destruir os pecadores.
10
Porque as estrelas e constelações dos céus não darão a sua luz; o sol,
logo ao nascer, se escurecerá, e a lua não fará resplandecer a sua luz.
11
Castigarei o mundo por causa da sua maldade e os perversos, por causa da
sua iniquidade; farei cessar a arrogância dos atrevidos e abaterei a soberba
dos violentos.
12
Farei que os homens sejam mais escassos do que o ouro puro, mais raros
do que o ouro de Ofir.
13
Portanto, farei estremecer os céus; e
a terra será sacudida do seu lugar, por causa da ira do SENHOR dos Exércitos e
por causa do dia do seu ardente furor.
A ira se completará com uma chuva
de pedras de 40 quilos cada, que equivale a medida antiga de um talento (v.21).
A vitória de Cristo é completa,
final e esmagadora. O trono do dragão, o reinado da besta parecem invencíveis.
Mas os reinos deste mundo cairão, os inimigos serão vencidos. A igreja triunfará.
Cristo virá em glória e a história fechará suas cortinas. O fim terá chegado!