Aula 26
Texto para leitura: Apocalipse
capítulo 14
O capítulo começa referindo-se aos cento e quarenta e
quatro mil homens selados já apresentados em Apocalipse 7:4, onde nos é
informado que o número de selados é constituído de todas as tribos de Israel. O
resultado é alcançado somando-se 12 mil de cada uma das 12 tribos.
Como estudado anteriormente, existem diferentes
interpretações a respeito dos 144 mil selados. Muitos consideram esse número um
símbolo da igreja e não propriamente uma referência à nação de Israel. Outros
creem na literalidade do texto, e entendem que serão judeus convertidos antes
da grande tribulação, os quais serão os principais evangelizadores no período
de perseguição. O grupo religioso conhecido como “As Testemunhas de Jeová”
entende que somente os 144 mil selados irão morar no céu com Jesus, e que o
restante dos salvos viverá no novo paraíso, na terra. Essa interpretação,
entretanto, não é aceita pelos evangélicos nem pelos católicos. Se lermos o
texto da forma mais simples e direta, concordaremos com a interpretação de que
os 144 mil serão judeus convertidos.
O Cordeiro se apresenta sobre o monte Sião com os 144 mil, com o nome de Deus escrito em suas
testas. Monte Sião pode representar
tanto a Jerusalém física quanto a Jerusalém celestial. No Antigo Testamento o
monte Sião representava a cidade de Davi, a Jerusalém dos Judeus, onde foi
construído o templo. O livro dos Salmos e o livro do profeta Isaías são os que mais
fazem referências ao monte Sião, referindo-se tanto a promessas de Deus para
salvação de seu povo, quanto ao reinado do Messias em visões apocalípticas. No
livro do profeta Zacarias está escrito que o Senhor reinará de Jerusalém: “Assim diz o SENHOR: Voltarei para Sião
e habitarei no meio de Jerusalém; Jerusalém chamar-se-á a cidade fiel, e o
monte do SENHOR dos Exércitos, monte santo” (Zc 8:3). Alguns intérpretes
não concordam que Jesus reinará literalmente em Jerusalém. Outros, porém,
aceitam as profecias com mais literalidade, como uma referência ao reinado de
Cristo no período do milênio (que estudaremos no capítulo 20), como por exemplo,
todo o capítulo 14 de Zacarias, que afirma que o Senhor colocará seus
pés no monte das Oliveiras e haverá tribulação na terra e punição para todos
que atacarem Jerusalém.
A principal referência ao monte Sião no Novo
Testamento encontra-se no livro de Hebreus 12:22-23: “Mas tendes chegado ao monte Sião e à cidade do Deus vivo, a
Jerusalém celestial, e a incontáveis hostes de anjos, e à universal assembleia
e igreja dos primogênitos arrolados nos céus, e a Deus, o Juiz de todos, e
aos espíritos dos justos aperfeiçoados”. Aqui o monte Sião é sinônimo do Céu,
ou seja, a Jerusalém Celestial, onde todos os crentes habitarão com o Senhor
para todo o sempre.
Há uma grande controvérsia a respeito da interpretação do
versículo quatro. Nele diz que os 144 mil selados não se contaminaram com
mulheres. Porém, a maioria dos intérpretes concorda que essa castidade é
espiritual e não física. Isso significa que eles são libertos do pecado da
idolatria, que é um tipo de fornicação. A Bíblia sempre faz comparação entre o
pecado da idolatria e o da prostituição, ou seja, trair Deus cultuando e adorando
outro ser, que não o Senhor, é prostituição e adultério espiritual, é um
relacionamento ilícito. Da mesma maneira, quando alguém se relaciona
fisicamente com outra pessoa que não é seu cônjuge, isso é adultério e
prostituição.
A partir do verso seis aparecem três anjos anunciando
algumas mensagens especiais. O primeiro
anjo anuncia o Evangelho Eterno para todas as nações, línguas e povos.
João vê o anjo no meio do céu voando e anunciando o Evangelho. Não se sabe ao
certo quem e como seria esse anjo. Sabemos que a palavra anjo é também
traduzida por “mensageiro”. O Evangelho é a boa notícia de Deus para os
homens, e há somente um Evangelho. Algumas denominações querem aproveitar-se
dessa passagem e dizer que a sua denominação possui o Evangelho restaurado. Não
podemos nos enganar. O Evangelho de Jesus é o mesmo em toda a Bíblia. A
Salvação é pela Graça de Deus, por meio do sacrifício de Jesus na cruz, para
perdão dos pecados. Em 1 Corintios 15:1-4 Paulo diz que o Evangelho que ele
recebeu é o mesmo que ele entregou: “que Jesus morreu pelos nossos pecados,
segundo as Escrituras, e foi sepultado e ressuscitou no terceiro dia, segundo
as Escrituras”.
O primeiro anjo faz um alerta dizendo: “Temam a Deus e
glorifiquem-no, pois chegou a hora do seu juízo. Adorem aquele que fez os céus,
a terra, o mar e as fontes das águas” (v.7). O mundo cada vez mais se afasta de
Deus. Os moradores da terra são alertados sobre a chegada do juízo:
- Antes do juízo, Deus alerta, avisa, e conclama ao arrependimento. As trombetas do juízo sempre visaram levar o homem ao arrependimento, mas muitos não querem se arrepender (Ap 9:20-21; 16:8-9).
- Os ímpios vivem como se o juízo jamais fosse chegar (2 Pe 3:4). Eles vivem desapercebidamente (Mt 24:37-39).
O segundo anjo anuncia o juízo sobre a Babilônia espiritual
(v.8). Essa cidade é inimiga de Deus. O Diabo tem sua cidade como uma imitação
da Jerusalém Celestial. Mas agora, o juízo é chegado: é a hora da queda da
Babilônia, da ira de Deus (v. 10), do lago de fogo (v. 11).
O terceiro anjo adverte: “se alguém adorar a besta, e a sua
imagem, e receber o sinal na sua testa, ou na sua mão” receberá a punição
eterna de Deus. Aqui está claro que o individuo será julgado pelo seu
livre-arbítrio em se decidir pelo lado do inimigo. Esse é o adorador do
anticristo. Algumas pessoas, no meio cristão, ficam apreensivas e com medo de
serem enganadas e levadas a colocarem a marca da besta sem saber. O texto
bíblico deixa bem claro que nesse momento da história a decisão será racional e
espiritual. Quem aceitar o anticristo é porque rejeitou a Cristo e o Evangelho.
O apóstolo Paulo explica em 2 Tessalonicenses 2:9-12 que Deus enviará um poder
sedutor para que todos os que rejeitaram a verdade automaticamente creiam na
mentira. E os que receberam o amor da verdade não serão enganados. É por esse
motivo que está escrito que os verdadeiros cristãos (os santos), os que guardam
os mandamentos de Deus e a fé em Jesus, perseverarão até a morte. A morte será
um alívio e uma bem-aventurança para aqueles que resistirem ao mal (v.13),
O capítulo encerra-se com a ceifa na terra (v.14-20). São
duas colheitas, uma dos santos e outra dos incrédulos. Tanto Cristo como os
anjos são os ceifeiros. A colheita das primícias para o Senhor. Os remidos
serão reunidos como o trigo no celeiro, mas os ímpios como joio na fornalha (Mt
13:40-43).
Na humanidade só há dois grupos: o dos salvos e o dos
perdidos. Os adoradores da besta e os adoradores do Cordeiro, os que estarão
com Cristo no Monte Sião e os que serão atormentados de dia e de noite. Aqueles
que estarão cantando e descansando no céu e aqueles que estarão atormentados
para sempre. De que lado você está? Você está preparado para o dia do juízo?
Hoje ainda é dia de oportunidade. Logo o juízo chegará, e então, será tarde
demais!