Aula 29
Texto para leitura: Apocalipse
capítulo 17
O capítulo 17 é um dos capítulos mais estudados e discutidos
do livro de Apocalipse. Neste capítulo aparecem as figuras da Besta e da Mulher “A Grande Prostituta”.
Inúmeras interpretações foram dadas a respeito desses elementos. Cada
intérprete segue uma linha de raciocínio tentando ajustar as passagens bíblicas
com acontecimentos do passado, do presente ou do futuro. Todas essas
interpretações têm seu fundo verdadeiro, mas como se trata de profecias
bíblicas, algumas podem já ter acontecido e outras ainda por acontecer.
Nessa seção uma forte ênfase é dada à Grande Prostituta, também chamada de Grande Babilônia, pois veremos que se trata de uma cidade espiritualmente equivalente e contrária
à Jerusalém Celestial.
O que significa
Babilônia? Babilônia foi uma grande cidade do mundo antigo, capital do
império babilônico, situada nas proximidades do atual Iraque. Foi nessa cidade
que vários reinos antigos se estabeleceram e dominaram os Israelitas. A cultura
da Babilônia, com suas festas idólatras e práticas sexuais se estenderam por
várias culturas e nações, influenciando negativamente o povo de Israel. Por
essa razão, Babilônia é citada como uma referência a práticas repugnantes, à
soberba e à prostituição, tanto física como espiritual.
No livro do Apocalipse, Babilônia é uma figura do império
romano e da cidade de Roma, que dominava na época dos apóstolos. A Roma da
época de João (cidade, império, civilização, adoração ao imperador) foi a
incorporação atualizada da Babilônia. Porém a Babilônia é mais do que a Roma
histórica. Ela mostra antecipadamente o sistema eclesiástico apóstata do final
dos tempos, assim como o poder político do Anticristo. Ela é um reino
demoníaco, a habitação de demônios e o abrigo de todo espírito imundo (Ap
18.2). Esta Babilônia é claramente considerada a sucessora do reino pagão
denunciado nos livros proféticos do Antigo Testamento.
A queda da grande prostituta já foi anunciada em Apocalipse 14:8,
e ela recebeu o cálice da ira de Deus quando a sétima taça foi derramada
(16:19). Agora um dos anjos que derramaram as taças mostra mais detalhes para
João.
Nos versos 1 e 2
o anjo diz a João que irá mostrar a condenação da grande prostituta. Essa
prostituta está sentada sobre muitas
águas. Essas águas são povos, multidões, nações e línguas, conforme a
própria explicação desse símbolo no verso
15 do presente capítulo. Como já encontramos em outras passagens do livro
de apocalipse, o próprio texto se explica, ou seja, já trazem o significado
correto de determinados símbolos, que nos ajudam a entender esse livro difícil.
Outros, porém, são alvos de inúmeras especulações e precisamos ter equilíbrio.
Também é dito que os reis da terra se prostituíram com ela. A
prostituição entre nações é uma figura que sugere alianças. Isso significa a
corrupção que os líderes do mundo têm com a falsa religião. Em todas as épocas,
há sempre o apoio religioso corrupto aos líderes que comandam as nações.
No verso 3, “uma
mulher assentada sobre uma besta” simbolizam dois poderes: o religioso e o
político. O fato de ela está “assentada sobre a besta” indica que a grande
prostituta reina e domina religiosamente sobre todas as nações, assim como a
besta domina as nações politicamente. Isso também revela sua influência, e ao
menos aparentemente, o controle sobre a Besta. Por sua vez, a mulher é
sustentada pela Besta.
No verso 4, a
mulher está vestida de Púrpura e Escarlata (vermelho) que são tecidos
coloridos, os mais luxuosos da época (v.3-4). Representam pompa, realeza e
luxo. Está adornada de ouro e pedras preciosas e pérolas. Ela segura em sua mão
um cálice de ouro. A religião prostituída faz ostentação da sua riqueza e do
seu luxo. Esse quadro é uma descrição perfeita do mundo a parte de Cristo, gabando-se
de sua riqueza, de sua alimentação, de seus banquetes, de seus carros, de seu
equipamento, de seu vestuário e de toda a sua beleza e gloria. A meretriz é
atraente e repulsiva ao mesmo tempo. Debaixo de suas vestes de púrpura esconde
suas abominações repulsivas.
No verso 5 diz: “Mistério, a grande Babilônia, a mãe das
prostituições e abominações da terra”. A grande Babilônia representa o
mundo como o centro de sedução anticristã em qualquer momento da historia. Essa
meretriz é personificada como a cidade de Roma na época de João (Ap 17:18). A
cidade imperial, conhecida como a “cidade das sete colinas” (v.9), atraia com
seus prazeres os reis das nações. Roma era uma cidade louca pelos prazeres. No
fim, a besta vai se voltar contra essa própria igreja apostata para destruí-la,
visto que desejara ser adorada como se fosse Deus (v. 16). A besta é o movimento
perseguidor anticristão durante toda a história, personificado em sucessivos
impérios mundiais. A besta é passada, presente e futura.
A meretriz que vive no luxo tem duas armas: sedução e
perseguição. Ele seduz, mas também mata. Ela atrai, mas também destrói. Ela
esta embriagada não de vinho, mas do sangue dos santos e dos mártires (v.6).
Não podemos fazer distinção entre o sangue dos santos e o sangue dos mártires.
Eles são santos porque pertencem a Deus; são mártires porque morreram por ele.
A meretriz sempre quis destruir a Noiva do Cordeiro. Ela tem
perseguido e matado muitos crentes ao longo da historia. Essa meretriz era Roma
nos dias de João (Ap 17:18). Os santos eram despedaçados em seus circos para a diversão
e passatempo do público. Depois vieram as fogueiras inquisitoriais e os
massacres dos governos totalitários. Cerca de 150.000 pessoas morreram pelas mãos
da inquisição somente em trinta anos. Desde o princípio da Ordem dos Jesuítas
em 1540, supõe-se que 900.000 pessoas pereceram sob a crueldade papal.
Sobre os versos de 7
a 13 há muitas interpretações sobre o significado da Besta que possui sete
cabeças e dez chifres. Alguns estudiosos acreditam que isso se encaixa
muito bem com o período dos imperadores e do momento em que João vivia aqueles
acontecimentos. Porém, encontramos na literatura apocalíptica diferentes
encaixes dependendo da ordem em que se começa a considerar esses imperadores.
É interessante notar que também outros estudiosos acreditam
que essa ordem de cabeças e chifres se refere aos papas. Na história papal
alguns tiveram períodos curtos de reinado e até mesmo alguns morreram antes
mesmo de tomar posse. Na reforma protestante Martinho Lutero, Calvino e outros
reformadores interpretaram que o Papa era o Anticristo. Até mesmo o famoso
cientista Isaac Newton (considerado o pai da física moderna) que também era teólogo,
interpretou dessa forma. No período de Adolf Hitler, as pessoas que viveram
aqueles momentos, viam com certeza absoluta que estavam diante da Besta do
Apocalipse. Sabemos que vários anticristos surgiram no decorrer da história que
foram contra o Evangelho de Jesus e perseguiram e mataram os santos. O apóstolo
João diz: “como ouvistes que vem o
anticristo, também agora muitos se têm feito anticristos” (1 Jo2:18).
Até os dias de hoje, a cada mudança Papa ou a cada mudança de
Presidente Norte Americano, reacende as tentativas de alguns intérpretes encaixarem
os versos de Apocalipse 17 com o momento em que se está vivendo. Ainda
aparecerá o último anticristo, que o Senhor Jesus destruirá com o sopro de sua
boca (2 Ts 2:8).