Apocalipse 2:8-11
8 “Ao anjo da igreja em Esmirna escreva: “Estas são as palavras daquele que é o Primeiro e o Último, que morreu e tornou a viver.9 Conheço as suas aflições e a sua pobreza; mas você é rico! Conheço a blasfêmia dos que se dizem judeus, mas não são, sendo antes sinagoga de Satanás.10 Não tenha medo do que você está prestes a sofrer. O Diabo lançará alguns de vocês na prisão para prová-los, e vocês sofrerão perseguição durante dez dias. Seja fiel até a morte, e eu lhe darei a coroa da vida.11 “Aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas. O vencedor de modo algum sofrerá a segunda morte”.
A carta à igreja de Esmirna começa com a recordação de um
dos atributos de Jesus que foram estudados em aulas anteriores (Ap 1:17-18).
Ele é o primeiro e o último, ou
seja, o início e o fim de todas as
coisas. Significa que o que Ele começou Ele irá terminar. Isso equivale às
palavras “Eu sou o alfa e ômega” que são aplicadas a Deus Pai no versículo
oito. Jesus, em sua oração ao Pai, declara que já existia antes de o mundo
existir (João 17:5). A Bíblia afirma que Jesus
é criador e não criatura. Que todas
as coisas foram feitas por ele e para ele (Cl 1:16). Também que Ele morreu
e ressurgiu para todo o sempre para o perdão de nossos pecados.
A cidade de Esmirna existe até hoje. É uma cidade portuária e
uma das mais antigas do mundo. Disputava com Éfeso e Pérgamo a fama de ser a
maior cidade da Ásia. Na época de João era um grande centro comercial. O nome
‘Esmirna” significa “mirra”, uma fragrância usada no fabrico de perfumes e em
embalsamamentos.
Essa cidade caracterizou-se pela forte oposição e
resistência ao cristianismo no primeiro século de nossa era. A igreja local
originou-se da grande colônia judaica ali estabelecida. No ano 159 d.C,
Policarpo, discípulo do apóstolo João, era o líder dessa igreja. Ele foi colocado
na arena dos jogos olímpicos para que negasse a Jesus Cristo e declarasse
fidelidade ao imperador como seu deus. Como ele se negou a fazer isso, foi
executado. Seu testemunho ficou conhecido na história e motivou vários crentes
da época a seguirem seu exemplo, tornando-se também mártires. Aquele período
foi terrível para a igreja de Jesus. Muitos crentes foram mortos de forma
brutal.
Jesus diz que conhece
as obras, a tribulação e a pobreza (material) dessa igreja, mas a elogia
dizendo que ela é rica (espiritualmente). Ao contrário da igreja de Laodicéia,
que era rica materialmente, mas pobre espiritualmente. Jesus conhece todas as
igrejas, de todas as épocas. Ele sabe o que está acontecendo com cada uma
delas. O que intriga muita gente é entender
os motivos pelos quais Jesus permite que suas igrejas passem por tribulações.
Hoje, devido à teologia da prosperidade, muitas pessoas não aceitam que uma
igreja seja sofredora, materialmente pobre e que nem mesmo seus membros sofram
derrotas, enfermidades e mortes. Atualmente, uma igreja que passa por isso é
considerada fraca e sem “poder do Espírito”. É bem verdade que muitas coisas ruins
acontecem como consequência de nossos atos, contudo outras acontecem porque
Deus tem um propósito com as adversidades. Nada acontece por acaso.
No caso de Esmirna, Jesus afirma que ela sofreria, mas que não devia temer o que iria sofrer, pois
o Diabo lançaria alguns na prisão
para que fossem tentados. Deus permite uma situação adversa, pois ela é
necessária na vida do crente. Gostaríamos que todas as situações desagradáveis
fossem evitadas, e até oramos por isso. Muitas vezes questionamos a Deus por
que Ele não atende às nossas orações. Uma das respostas é porque precisamos
passar por determinadas situações para crescermos espiritualmente. O exemplo
clássico é a história de Jó. Também com a tribulação Deus testa o falso e o verdadeiro,
separa o Joio do Trigo. Na mente de muita gente isso não poderia acontecer. Mas,
observe que Deus sabe até a duração da tribulação: “Tereis uma tribulação de dez dias”.
Perseguição e morte por causa de Jesus faz parte da história da igreja.
Lembre-se de que ainda estamos vivendo esta história. O final ainda não chegou.
Os propósitos soberanos de Deus não são totalmente compreendidos, mas devemos
ter a confiança de que Ele está no controle de todas as coisas e não ficarmos murmurando.
Tudo tem um “o quê”, um “porquê” e um “para quê”. O apóstolo Paulo
diz que “a tribulação produz perseverança;
e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança” (Rm 5:3-4).
Jesus afirma que existem pessoas que se dizem judeus, e não o são, antes, porém, são sinagoga de Satanás.
O apóstolo Paulo diz que “não é judeu
quem o é apenas exteriormente, nem é circuncisão a que é meramente exterior e
física. Não! Judeu é quem o é interiormente, e circuncisão é a operada no
coração, pelo Espírito, e não pela Lei escrita” (Romanos 2:28-29). De
semelhante modo, dentro e fora das igrejas, existem pessoas que são inimigas de
Cristo. Jesus chama essas pessoas de “Sinagoga de Satanás”, ou seja, uma
reunião de gente inimiga. A palavra “Satanás” significa “inimigo”. Os judeus incrédulos
se reuniam para discutir como iriam destruir os cristãos. Eles se aliaram ao
governo do imperador para acabar com todos os cristãos. Esse tempo foi terrível
para os fieis. Nos últimos também serão.
“Seja fiel até a
morte, e lhe darei a coroa da vida”. É dito que eles sofreriam uma
perseguição de dez dias. Um tempo estava determinado para esse sofrimento. Uma
vez aprovados, seriam coroados pelo Senhor. Ainda que sejamos mortos por causa
do Evangelho, reviveremos para a vida eterna com o nosso Senhor Jesus Cristo. Para
um verdadeiro cristão, as coisas celestiais e eternas são mais importantes do
que as terrenas e temporárias.
A carta termina com a promessa para todo o crente fiel: “não sofrerá a segunda morte”. A segunda
morte é a morte eterna – a separação definitiva de Deus – (2 Ts 1:9), em
contraste com a primeira morte, que é a morte do corpo.