Texto para leitura: Apocalipse 6:1-17
No capítulo anterior vimos
que somente o Cordeiro foi digno de
abrir os sete selos. Esses setes selos representam acontecimentos
desagradáveis que irão acontecer no planeta terra. Começa então a apresentação
dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse.
O primeiro selo
(Ap 6.1-2). João vê um dos quatro seres vivente anunciando o primeiro cavaleiro.
Ele vê um cavalo branco. Aquele que
o cavalga vai à conquista, tendo um arco
na mão e uma coroa na cabeça (6.2).
Há várias interpretações, mas pelo menos duas delas são as mais utilizadas:
1)
Alguns
comentaristas entendem que esse cavaleiro se refere a Jesus. Isso devido à coroa
posta em sua cabeça como na de um rei,
e por ele estar assentado num cavalo branco, que é uma cor que simboliza
paz ou pureza. Argumenta-se que Jesus veio trazendo o Evangelho libertador e
vitorioso, tendo como consequência natural a reação do mal em levantar outros
cavaleiros trazendo angústias.
2)
Outros
interpretam como sendo a chegada do anticristo,
ou seja, a autorização dada para que ele comece a reinar sobre a terra, vindo
como um grande líder, e enganando a todos (parecendo-se com o Cristo), cumprindo-se
assim diversas profecias. Sabe-se que o anticristo virá trazendo “paz e
segurança” (1Ts 5:3) e se assentará no templo afirmando ser Deus e exigindo
adoração (2 Ts 2:3-4). Assim, esse cavaleiro tem aparência de algo bom, com um
arco de vitória, e o branco da paz, mas é um enganador.
O segundo selo
(Ap 6.3-4). João vê o segundo ser vivente anunciando o segundo cavaleiro. Ele
vê um cavalo vermelho. Aquele que
cavalga recebe poder para tirar a paz da terra. A humanidade vive em
guerras e conflitos. A cada ano uma nação se levanta contra outra. Diversos
pequenos conflitos acontecem ao redor do mundo e de muitos deles não ficamos
sabendo, não despertam mais a nossa atenção. No século 20 duas grandes guerras
abalaram o mundo. Milhões de pessoas perderam a vida por causa do egoísmo
humano. A base de todo pecado é o
egoísmo. Satanás incita os homens a se destruírem por causa do orgulho. Não
há paz porque os homens rejeitaram o príncipe da paz.
O terceiro selo
(Ap 6.5-6). João vê o terceiro ser vivente anunciando o terceiro cavaleiro. Ele
vê um cavalo preto. Aquele que
cavalga segura uma balança na mão, indicando que grande fome se
aproxima. Sempre que ocorre uma guerra, a fome a acompanha. Se a paz é tirada
da terra, não poderá haver livremente comércio nem negócios. Em tempos de
guerra as coisas ficam muito caras. A prioridade da alimentação passa para os
combatentes, para que continuem lutando. Toda a logística de um país é
alterada. Com isso, a população geme de sofrimento com a escassez de alimento.
A balança representa o
controle dos alimentos. Tudo será pesado e restrito. Os preços dos alimentos
serão tão altos que um denário
(valor de um dia de trabalho), só poderá comprar uma medida de trigo. O
trigo é o principal alimento. Ele é a base para a fabricação da maioria das comidas.
Já a cevada, por ser mais barata, é utilizada pela população mais humilde e
pelos animais. Esta poderá ser adquirida na proporção de três medidas por uma
diária. O azeite e vinho são
alimentos da classe alta. Porém, mesmo havendo escassez de alimentos
básicos, a classe alta estará se preocupando com luxos gastronômicos. Ou seja,
enquanto parte da população sofre para adquirir alimentos básicos, outros
esbanjam luxo. Isso é o que ocorre frequentemente em nosso planeta. Os ricos
sempre sabem garantir o seu luxo, enquanto a população passa fome. No mesmo
mundo em que reina a fome, reina também o esbanjamento, o luxo, a desigualdade.
O quarto selo
(Ap 6.7-8). João vê o quarto ser vivente anunciando o quarto cavaleiro. Ele vê
um cavalo amarelo. Aquele que
cavalga é a Morte, e o inferno o
acompanha. Milhões morrerão por espada, fome, pragas e animais selvagens.
A morte pede o corpo, enquanto o inferno (gr. hades) reclama a alma do morto. Observe que “lhe foi dada autoridade”
para atingir um quarto da população
do planeta. Essa autoridade é do Senhor, pois vimos na passagem de Ap 1:18 que
Jesus é quem tem a chave da morte e do hades
(inferno). Tudo que acontece é por permissão de Deus. Ele está derramando a sua
ira. Normalmente Deus se utiliza dos próprios males terrenos para cumprir seus
objetivos de julgamento (Is 45:7; Rm 1.28).
O quinto selo
(Ap 6.9-11). Ele vê a alma dos martirizados sob o altar celestial. Os mártires
clamam: “até quando...esperarás para julgar os habitantes da terra e vingar o
nosso sangue?”. Jesus
responde dizendo que eles devem aguardar um pouco mais
até que se complete “o número de seus conservos e seus irmãos,
que deveriam ser mortos como eles” (v.11). Observe que eles foram
mortos por causa da palavra de Deus e do
testemunho que deram. Milhares de cristãos morrerão por não negar sua fé.
Em todos os séculos aconteceram assassinatos de cristãos. Esses irmãos estão
clamando no céu pelos que estão na terra. Essas pessoas foram mortas, mas
ainda não ressuscitaram. As almas sobrevivem sem o corpo e são
conscientes. Elas não estão dormindo. Elas estão no céu com o
Senhor. Essa é nossa gloriosa convicção. Morrer é estar com Cristo. É
deixar o corpo e habitar com o Senhor. É entrar na posse do Reino. A morte não
os havia separado de Deus.
Enquanto os falsos crentes
vão apostatar (desistir, abandonar), amando o presente século, adorando
o anticristo e apostatando diante da sedução do mundo ou da perseguição do
mundo, os fiéis selarão com o seu sangue o seu testemunho e preferirão a morte
à apostasia. Jesus deixou
isso claro no sermão profético: "Então vos entregarão à tribulação, e vos
matarão, e sereis odiados de todas as gentes por causa do meu nome"
(Mt 24:9,10). Precisamos saber que nos é dada a graça não apenas de crer em
Cristo, mas também de sofrer por ele e até de dar a vida por ele (Fp 1.29; 2 Tm
3.12).
O sexto selo
(Ap. 6.12-17). Ocorre um grande terremoto:
a)
O sol torna-se
negro e a lua, vermelha (v.12).
b)
As estrelas caem
(v.13).
c)
O céu enrola-se
como um pergaminho (v.14).
d)
Todas as
montanhas e ilhas são removidas de seus lugares (v.14).
e)
As pessoas de
todas as classes sociais se escondem em cavernas e entre as rochas das
montanhas. Todos clamam para serem escondidos da ira do Cordeiro (v.15,16).