Aula 32
(adaptação do estudo
do Pr. Evaldo Bueno Rodrigues)
Texto para leitura: Apocalipse
capítulo 20
“E reinaram com Cristo
durante mil anos” (Ap 20.4). Entre as maiores divisões que separam os
evangélicos na doutrina da Escatologia encontramos a divergência em relação ao
Milênio, mencionado literalmente em Apocalipse 20. Várias interpretações são
apresentadas quanto à natureza e ao propósito do Reino Milenar de Cristo. Mais
á frente vamos conhecer cada uma dessas posições quanto ao Milênio.
A Bíblia ensina que a era
ou reino milenar será um período da
plenitude dos propósitos de Deus nesta Terra: um reino teocrático que permitirá
o cumprimento de todas as alianças de Deus com Israel. São promessas a respeito
da ocupação da terra (Ez 11.17-18), do reinado do trono de Davi (Is 11.1-2), do
coração novo (Ez 11.19-20), do perdão de pecados e da plenitude do Espírito
Santo (Jr 31.33-34) serão plenamente cumpridas na era milenar.
Em vez do pecado, a justiça encherá a terra; Satanás estará
preso (Ap 20.1-3); o anticristo e o falso profeta serão lançados no ardente
lago de fogo (Ap. 19.20). O tempo de obscuridade e terror cederá lugar à luz da
glória de Deus, que esteve ofuscada durante o tempo da Grande Tribulação.
Cristo será o Rei dos reis e Senhor dos senhores (Ap 19.16).
- Será um período literal de mil anos (Ap 20). Não há razão para a espiritualização ou simbolismo.
- Será estabelecido depois da Grande Tribulação, logo após o julgamento das nações vivas (Dn 12.11-13 e Mt 25.31ss).
- Será um período em que Deus demonstrará à humanidade que o pecado está no coração do homem (Mt 15.19).
- Não será o “novo céu e a nova terra” (Ap 21.1).
- No Milênio, Jerusalém será o centro de adoração para todos os povos e também a capital religiosa do mundo (Jr 3.17).
- O Milênio será um tempo de restauração para todas as coisas: a terra, os animais, o homem e a adoração. Será também o tempo do cumprimento de muitas promessas de Deus para com Seu povo, Israel.
- Será a última etapa do plano de Deus no trato com o homem, denominada como a dispensação da plenitude dos tempos (Ef 1.10; Is 2.2; Mt 19.28), antes da criação do “novo céu e nova terra”.
A VIDA NO MILÊNIO
As passagens bíblicas apontam para um período de paz e
prosperidade, justiça e harmonia social. Satanás estará preso e, portanto, não
poderá enganar ou incitar o homem à desobediência contra Deus. A natureza será
redimida (Is 65.21) e isso resultará em bênção para todos os seres viventes da
terra. A ferocidade dos animais deixará de existir e eles se alimentarão da
relva da terra (Is 11.6-9; 65.25; Ez 34.25) e haverá fartura de alimento também
para eles (Is 30.24). Dois grupos de pessoas habitarão a terra no Milênio.
1. Corpos naturais. Aqueles que
sobreviverem à Grande Tribulação. É bom lembrarmos que os capítulos 24 e 25 de
Mateus descrevem todo o período da tribulação, incluindo o julgamento das
nações. O ensinamento de Jesus aqui é sobre o julgamento e não sobre o
arrebatamento. Portanto, ao concluir o ensinamento, Jesus nos mostra o que
sucederá quando da sua volta com Sua Igreja glorificada. Ele descreve a entrada
no Reino Milenar. Muitos permanecerão com corpos naturais, não serão ceifados
ou apanhados pelo julgamento (Mt 24.40-41) e, portanto, serão deixados para
povoar a terra no Milênio (Is 65.20-22). Serão judeus e gentios de todas as
nações que entrarão no Milênio com seus corpos naturais e terão sua vidas
prolongadas (Is 65.20; Zc 8.4+5). Eles gerarão filhos e constituirão as nações
que Cristo regerá com os santos.
2. Corpos glorificados. São os crentes de
todas as épocas. Os santos do AT, a igreja, que é a Noiva de Cristo, e os que
se converteram e morreram durante a Tribulação (Ap 20.4-6). Conforme Apocalipse
20.4, os tronos (posições de governo) serão ocupados pelos crentes fiéis que
têm o direito de julgar e de reinar com Cristo durante o Milênio. A
ressurreição dará aos crentes corpos espirituais (1 Co 15.38-49). Entre os
crentes ressurretos com seus corpos incorruptíveis e os habitantes do mundo em
seus corpos naturais haverá comunicação tal qual houve entre Jesus e as pessoas
para as quais Ele apareceu após Sua ressurreição (Jo 20.26-29; 21.1,7,13-14). Os
santos em corpos glorificados não estarão sujeitos a limitações de tempo e
espaço, como é comum aos homens naturais.
O CARÁTER DO MILÊNIO
No Milênio a Terra experimentará novamente a teocracia e
isto trará significativas implicações. Para uma compreensão mais detalhada do caráter
do Milênio, vamos analisá-lo sob três aspectos distintos.
1. Espiritual. O Milênio fará convergir em
Cristo todas as coisas (Ef 1.10). Cristo exercerá um governo perfeito sobre as
nações, tal qual nunca houve, embora haja habitantes com corpos naturais na Terra. A ausência de
Satanás e a presença de Cristo entre os homens induzirão o povo a uma vida de
santidade e espiritualidade. Cristo irá estabelecer a Sua paz e a Sua justiça
(1Co 15.24; Mt 25.344; Is 11.5; 26.2; 32.1; 60.21; Jr 23.6; Dn 9.24),
eliminando a rebelião contra Deus. O Milênio será caracterizado pela obediência
(Is 2.3), pela santidade (Jl 3.17), pela verdade e justiça (Zc
8.8) e pela plenitude do Espírito (Jl 2.28-29).
2. Econômico. No Milênio Deus terá
restaurado todas as coisas. A própria Terra passará por transformações que
terão melhorado o seu clima e a sua produtividade (Is 11.9). Não havendo uma
ordem econômica egoísta e competitiva com a de hoje, toda a terra será cheia do
conhecimento do Senhor. Os reinos deste mundo passarão a ser de Cristo (Ap
19.16). “Acabarão situações como: a especulação imobiliária, muro forte e
portão grande em casa, bem como fazenda cercada com mais de onze fios de arame
farpado, posto que o princípio de Levítico 25.23 e outros serão restaurados.
Também a terra não se venderá em perpetuidade” (A.L. Sacramento).
3. Didático (sacrifícios no Milênio). Visto que haverá um grande templo em
Jerusalém no Milênio, os sacrifícios voltarão a ser oferecidos a Deus ali;
porém, sacrifícios não expiatórios, ou seja, não visando salvação de pecados.
Eles serão como memorial do sacrifício de Cristo Jesus, ao mesmo tempo em que
apontarão para a gravidade do pecado do homem (Zc 14.16-20; Jr 33.14-18; Ez
20.40-42; 46.1-15; Is 56.6-8; Is 66.20-21). É bom lembrar que, embora os
sacrifícios no Antigo Testamento prefigurassem o sacrifício de Jesus, essa não
era a sua única finalidade. Havia, também, a função de mostrar ao homem a
gravidade e a profundidade do seu pecado contra Deus (Gn 3.21).
AS POSIÇÕES QUANTO AO MILÊNIO
Alguns creem que o Milênio não é uma época específica. Outros entendem que é a época atual da igreja. E outros, dentre os quais nos colocamos, creem no Reino Milenar como sendo um período futuro a ser instalado na terra, após a Segunda Vinda de Cristo, com a Sua presença física como o Rei das nações.
São três as principais interpretações do milênio:
1. Amilenistas. Ensinam que o milênio não virá no fim do mundo, mas é um símbolo do período da existência e da ação da Igreja na história, no fim do qual acontecerão a segunda vinda de Cristo, a ressurreição, o juízo final e a vida eterna.
2. Pós-milenistas. Ensinam que, pelo poder do evangelho, haverá um período de mil anos de paz e justiça na terra, e depois disso acontecerão a segunda vinda de Cristo, a ressurreição dos mortos, o juízo final e a vida eterna.
3. Pré-milenismo. Ensinam que a Segunda vinda de Cristo irá acontecer antes do seu reinado de mil anos na terra, junto com os salvos que participarem da primeira ressurreição. Depois desse período literal de mil anos, acontecerá a ressurreição dos mortos, o juízo final e a vida eterna.
O ARREBATAMENTO DA IGREJA
O
que significa “O Arrebatamento”?
Reunião, nas nuvens, de todos os salvos, tanto dos que
tiverem morrido como dos que estiverem vivos por ocasião da segunda vinda de
Cristo. Os crentes serão retirados subitamente do mundo para o encontro com o
Senhor. Nesse momento, num piscar de olhos, os corpos dos crentes mortos
ressuscitarão, e os corpos dos que estiverem vivos serão transformados, e todos
serão reunidos à presença do Senhor. (Mt 24:31; 1 Ts 4:17; 1 Co 15:52; Ap 10:7;
Ap 11:15).
AS POSIÇÕES QUANTO AO ARREBATAMENTO DA IGREJA
- Pré-tribulacionistas: Defendem que o arrebatamento ocorrerá antes da Grande-Tribulação, ou seja, a Igreja fiel será poupada dos sofrimentos na terra; e os demais, crentes infiéis, serão deixados para trás e serão os mártires na Grande Tribulação.
- Meso-tribulacionistas ou Midi-Tribulacionistas: Defendem que o arrebatamento ocorrerá no meio da Grande Tribulação, ou seja, depois dos três anos e meio do aparecimento do anticristo e a Igreja sofrerá parte da Grande Tribulação;
- Pós-tribulacionistas: Defendem que o arrebatamento ocorrerá no final da Grande Tribulação, ou seja, os crentes passarão pelo sofrimento e perseguição do anticristo, a exemplo dos crentes da primeira geração, e serão arrebatados no final quando o Senhor descer dos céus.
Passados os mil anos, Satanás será solto da prisão,
encabeçará uma revolta por breve período contra “o acampamento dos santos”, com apoio dos habitantes não regenerados
do mundo, mas eles serão definitivamente derrotados.
O destino eterno de
Satanás (Ap 20.10). É a total e definitiva derrota do mal, mencionada
claramente aqui. É o destino final de Satanás e todos os seus súditos, anjos,
demônios e seguidores. Fogo dos céus a todos destrói. Satanás ganha seu berço definitivo
no lago de fogo, onde desde o início do Milênio se encontram a besta e o falso
profeta (Ap 19.20). Não significa o aniquilamento deles, mas o começo do
sofrimento interminável.
O grande trono branco
(Ap 20.11-15). No final do Milênio Deus vai estabelecer o julgamento dos
ímpios. Será o juízo final mencionado por João nesses versos. Aqui, só os
ímpios, agora ressurretos, comparecerão diante do Trono de Deus para serem
julgados “segundo as suas obras” (v.13).
Essa é a segunda ressurreição (Ap 20.5,14). Nenhum ímpio escapará. Serão
julgados segundo a reta justiça de Deus, para a condenação, a morte eterna, a
separação eterna de Deus.
A expectativa do Milênio para os salvos deve constituir-se
em fator de grande estímulo para uma vida de santidade. Ansiar por esse tempo
de júbilo deve impulsionar o crente a uma profunda dedicação ao serviço cristão
e a uma comunhão constante com Deus, além de levá-lo a um maior envolvimento no
programa missionário de Cristo, baseado no amor de Deus pelo pecador. Todos os
propósitos redentores de Deus, em Cristo, aplicar-se-ão sobre o homem no
Milênio, mas isto será ainda uma sombra do que acontecerá no porvir no “novo céu e nova terra” (Ap 21.1).