Vê-se hoje uma pregação maciça no Antigo Testamento. Isto não é ruim em si mesmo. O ruim é que se vê muita pregação para os cristãos como sendo analisada pelo Antigo. Está havendo uma supremacia do Antigo sobre o Novo não apenas em quantidade, mas como critério de interpretação. O Antigo tem interpretado o Novo e seus pressupostos teológicos têm sido empurrados para a Igreja, a comunidade do Novo. A Igreja precisa conhecer o Antigo Testamento, mas não precisa obedecê-lo.
A questão
fundamental é a visão que se tem da Bíblia. Todos os grupos evangélicos a
declaram como Palavra de Deus. Nenhum deles a nega. Mas tendo dito isto, muitos
se afastam de uma hermenêutica sadia e começam
a interpretá-la à luz de escritos institucionais ou de opiniões de seus fundadores
ou, ainda, de seus comitês doutrinários. A questão não é a Bíblia, mas a forma
como se vê a Bíblia. Não é o discurso sobre, mas o uso dela.
O Antigo Testamento é inspirado como
Palavra de Deus, mas não pode ser palavra absoluta. Suas verdades
são penúltimas, não últimas. Sua inspiração é absoluta, mas sua aplicação à nossa vida é relativa. A maneira correta
de se pregar no Antigo Testamento passa, primeiramente, pelo conceito de revelação progressiva. Mas
muitos pregadores se esqueceram disto. Revelação progressiva significa sair do
incompleto para o completo. Sair da sombra para a realidade. O Antigo Testamento era a sombra.
A realidade é Cristo, o Novo
Testamento. Aqui está, em outras palavras, a essência da revelação
progressiva. Jesus Cristo é o fio de
prumo para a interpretação. Jesus
é o padrão para interpretar a Bíblia.
Aonde vamos com
esta argumentação? A este ponto: a
autoridade final da Bíblia é o Novo Testamento e, mais especificamente,
a pessoa de Jesus. A pessoa
de Jesus, é o eixo hermenêutico de toda a Bíblia. Podemos usar o Antigo
Testamento o quanto quisermos, mas o cânon chamado Jesus é o padrão
hermenêutico para interpretá-lo. Pregação que não sirva para ensinar sobre
Jesus deixou de cumprir sua missão.
Pr.
Isaltino Gomes Coelho Filho (in memoriam)
