Texto para leitura:
Apocalipse capítulo 9
No final do capítulo 8, João ouve um alerta do céu dizendo:
“ai, ai, ai dos que habitam na terra, por
causa dos toques das trombetas dos três anjos que ainda vão tocar” (Ap.
8.13). As quatro primeiras trombetas anunciaram juízos que afetaram coisas
físicas como o sol, as estrelas, a lua e o planeta terra. Agora, as últimas
trombetas anunciam juízos que envolverão coisas espirituais.
João vê uma estrela que cai do céu e abre o poço do abismo
(v.1). A expressão “foi-lhe dada a chave
do poço do abismo” representa autoridade e poder, como já estudamos em
aulas anteriores, como por exemplo, Jesus é aquele que tem as chaves da morte e
do inferno (Ap.1.18). Nessa passagem entendemos que se trata de algo
espiritual, pois essa estrela libera do poço do abismo um anjo, que é chamado
de rei, cujo nome em hebraico é Abadom
e em grego é Apoliom, que significa
“o destruidor” (v.11). Alguns
intérpretes entendem que esse anjo se refere a Satanás. Outros entendem que se
trata de outro líder dos anjos caídos e seu exército, que estavam presos por
causa dos seus pecados e que serão liberados para atacar os homens não
convertidos no tempo do juízo (v.4). Na carta do evangelista Judas, está
escrito que: “os anjos que não mantiveram
seus domínios, mas deixaram sua própria habitação, ele [o Senhor] os tem
confinado nas trevas em algemas eternas, para o juízo do grande dia” (Jd
1:6; 2 Pe 2:4). Entendemos que tanto os homens quanto os anjos pecadores serão
alvos do juízo de Deus, mesmo que em determinados momentos sejam usados pelo
próprio Deus para fins específicos, como veremos mais adiante no capítulo 20,
onde Satanás será libertado de usa prisão temporária para enganar as nações
antes de ser lançado definitivamente no lago de fogo.
Esses espíritos maus são apresentados como gafanhotos de
aspectos estranhos (v.3). Observemos que esses “gafanhotos” não atacam as
plantas, como um gafanhoto natural, entretanto eles têm o poder de ferir os
homens que não foram selados por Deus, ou seja, os 144 mil judeus (v.4, cf. Ap
7:3-4). Alguns intérpretes veem aqui uma proteção espiritual a todos os crentes
e não somente aos 144 mil judeus. É dito que esses seres espirituais
“gafanhotos” trarão forte dor como de um escorpião (v.5). Os homens desejarão
morrer e não conseguirão (v.6). Assim, entendemos que esse sofrimento não será
físico, mas espiritual.
O sexto anjo toca sua trombeta e então outros quatro anjos
que estavam presos junto ao rio Eufrates são liberados para atacar e matar um
terço dos homens (v.13-15). A menção ao grande rio Eufrates pode significar que
a região afetada por esses acontecimentos será no golfo pérsico, no Oriente
Médio. É dito que eles agirão no tempo certo, ou seja, esses anjos estão presos
só aguardando a ordem de atacar. Esse dia já tem data certa para acontecer,
pois será na hora, dia, mês e ano determinados por Deus. Mais uma vez
encontramos referência de que tudo está sob o controle de Deus, que é
onisciente e onipotente, e há coisas que aguardam o dia certo de acontecer.
Esse novo ataque é feito por outro exército de seres
espirituais cujo número é de duzentos milhões (v.16). Nessa visão João vê
aspectos um pouco diferentes dos gafanhotos espirituais. Ele vê cavalos com
cabeça como de leão e com caldas como de serpente, e de suas bocas saiam fogo,
fumaça e enxofre (v.17). Logo em seguida João vê que o que sai da boca desses
animais são pragas lançadas sobre a terça parte dos homens, e eles morrem por
causa delas (v.18).
Os homens que não morreram por essas pragas também não se
arrependem de seus pecados (v.20). Encontramos aqui o propósito de Deus em
lançar seus juízos sobre a terra. Deus está sempre dando oportunidades para o
povo se arrepender. Mesmo assim, as Escrituras nos mostram que muitos não
querem reconhecer seus erros, mesmo sabendo que o que está acontecendo é fruto
do pecado. Vimos no capítulo seis que muitos preferem se esconder de Deus e de sua
ira, mas não se entregam, nem se arrependem (Ap 6.15-17). Muitos criticam Deus,
mas não veem que Ele está sempre pronto a perdoar. O homem é que não quer. Por
isso, sofrerá o dano por causa do pecado.
Os tipos de pessoas pecadoras que não querem se arrepender de
suas obras, mesmo depois das pragas, estão descritas no verso 20 e 21: adoradores de demônios, idólatras,
homicidas, feiticeiros, prostitutos e roubadores. No antigo testamento,
Deus enviou juízos à terra para punir os pecados das nações e dar oportunidade
para arrependimento. Deus sempre espera antes de derramar sua ira. No decorrer
dos séculos Deus tem derramado seus juízos sobre a terra e os homens não
enxergam. Várias guerras já ocorreram, doenças e pragas já devastaram grande
parte da população. A Aids é uma doença que veio como um freio para a
imoralidade e homossexualismo. As gripes poderosas como a do porco e do frango
assustaram e ainda assustam as nações. Ha inquietação no mundo. As pessoas não
tem paz. Elas buscam refugio na religião, no dinheiro, na bebida, no sexo, nas
drogas, na fama, mas o vazio é cada vez maior. A degradação de valores aumenta.
As famílias estão se desintegrando. A imoralidade campeia. A violência aumenta.
Os conflitos se avolumam. Vivemos dias difíceis, ferozes (2 Tm 3:1). O dia
final está se aproximando. A última trombeta tocará e não haverá mais tempo
para se arrepender.