Texto para leitura: Apocalipse capítulo 12
No final do capítulo anterior (Ap 11:15 ss) o “terceiro ai”,
que é o juízo da sétima trombeta, alerta-nos para o fato de que o fim do poder
de Satanás está próximo, pois os juízos do “terceiro ai” inaugurarão o reino de
Deus e de seu Cristo, e será estabelecida a retidão universal. Porém, antes que
isso possa suceder, Satanás intensificará o conflito. Assim é que ele
perseguirá a Israel (a mulher) e intensificará a sua maléfica atuação sobre a
terra, porquanto já não contará mais com lugar garantido nos céus. Fará
surgirem em cena o seu falso cristo e o seu falso profeta, agentes especiais do
mal, preparados para os “últimos dias”, e, de fato, para o período da
tribulação, aquele tempo de imensas agonias na terra inteira, que não
envolverão apenas a nação de Israel. Os capítulos doze e treze de Apocalipse
descrevem o conflito que será produzido pela intensificação das atividades
satânicas.
O capítulo 12 é um daqueles capítulos que possuem muitas
interpretações para os símbolos que se apresentam: a mulher, o menino, o dragão, arcanjo Miguel, a descendência da mulher.
Os intérpretes muito se têm esforçado por encontrar significação para cada item
da descrição que temos, mas isso serve mais para confundir o quadro, tornando
difícil a identificação.
Para os católicos, a
mulher refere-se à Maria, a mãe de Jesus. Essa interpretação é baseada no
sentido em que o texto fala da mulher (Maria) estar grávida e ser perseguida
por Herodes para matar seu filho, tendo que fugir para o deserto (Egito). A
mulher possui uma coroa de doze estrelas e está vestida de sol, ou seja, vestimenta
celestial e tendo a lua debaixo dos seus pés. Nessa linha de raciocínio é que
foi atribuído o título de “Rainha dos Céus” à Maria. Desde então os católicos
utilizam esculturas e pinturas que retratam essa cena. Porém, a maioria dos intérpretes rejeita essa
interpretação. E essa rejeição é correta porque a perseguição movida por
Satanás ultrapassa em muito ao ataque pessoal contra Maria. O culto à “Rainha
dos céus” foi condenado por Deus no passado, pois fez o povo de Israel se
desviar do verdadeiro culto a Deus, além de trazer maldições à nação israelita
(Jr 7:18; 44:15-23).
Para os intérpretes da linha historicista, a mulher
representa a igreja em todas as épocas. Em favor dessa ideia está a perseguição
de Satanás contra a igreja e seus descendentes. Por ser a noiva do Cordeiro, a
Igreja recebe honras, autoridade e poder. Porém essa interpretação tem
dificuldade ao colocar a Igreja como a mãe de Cristo.
A maioria dos intérpretes vê a mulher simbolizando a nação
de Israel como a interpretação mais provável. As doze estrelas de sua coroa
seriam as doze tribos de Israel, e o nascimento de seu filho representa o
nascimento do Messias Jesus, o qual procedeu da nação de Israel. O dragão
representa Satanás. A terça parte das estrelas significa os anjos caídos, os
quais, por haverem seguido a Satanás, transformaram-se em seres demoníacos. O
arrebatamento do menino aos céus representa a ascensão de Jesus ao término de
Sua carreira terrena. E a proteção outorgada à mulher, defendendo-a dos ataques
do dragão durante os 1.260 dias que ela passará no deserto, representa a
proteção dada ao remanescente judaico (os 144 mil), o que os livrará da
perseguição satanicamente inspirada e encabeçada pelo Anticristo, durante a
última metade da tribulação.
A descendência da mulher certamente inclui a igreja cristã,
pois o cristianismo se originou de Israel, já que a “salvação vem dos judeus”
(Jo 4:22). Igualmente, a perseguição contra o menino, que é Cristo, subentende
a perseguição contra o corpo místico, a igreja, porquanto tudo quanto suceda
com Jesus Cristo, necessariamente terá de acontecer, por semelhante modo, com
sua igreja.
Nos versos 7 e 8 encontramos a ação
interventora dos anjos. A Bíblia diz que os anjos são valorosos em poder e
executam as ordens de Deus (Sl 103:20). O arcanjo Miguel e seus anjos lutaram
contra o dragão e seus anjos (v.7). Nessa peleja no reino espiritual, o dragão
e seus anjos foram derrotados (v.8). O dragão e seus anjos não foram apenas
derrotados, mas também expulsos do céu, ou seja, ele perdeu o posto de
acusador dos nossos irmãos. Por causa da obra de Cristo na cruz, as acusações
do dragão não tem nenhuma base legal (Rm 8:33).
A igreja vence o dragão por causa do sangue do Cordeiro (v.11).
A morte de Cristo é a nossa vitoria. O sangue de Cristo é a nossa arma mais poderosa.
Seu sacrifício na cruz desfez toda a possibilidade de Satanás triunfar sobre o povo
de Deus (2 Co 5:21). Será por que eles venceram? Será por causa de Miguel? Ou de
suas próprias realizações? Não. Por
meio do sangue do Cordeiro. O motivo da vitória sobre o dragão acusador é o
sangue do Cordeiro. Não é o conhecimento do Cordeiro, nem a crença intelectual
no Cordeiro, mas o sangue do Cordeiro.
A igreja vence o dragão quando testemunha de Cristo mesmo em
face da perseguição e da morte. Ela prefere ser uma igreja mártir a ser uma
igreja apóstata. Ela prefere morrer a negar o nome de Jesus. Ela, assim, mesmo
morrendo, vence a Satanás. O diabo e seus agentes, em sua fúria, vão perseguir
e matar os santos, mas estes vencerão o diabo e seus anjos, no próprio ato de
morrer por amor a Cristo. A igreja vitoriosa é aquela que não ama a própria
vida. Então, o que foi que amaram? A morte? Não! Amaram o Cordeiro até a morte.