Texto para leitura: Apocalipse
capítulo 11
O
capítulo 11 começa dando sequência ao capítulo anterior, quando João recebeu do
anjo forte um livrinho e lhe foi pedido que o comesse. O gosto do livrinho
seria doce na sua boca, mas amargo no seu estômago, simbolizando os dois
efeitos da Palavra de Deus: ela é doce para o profeta, que é privilegiado em
recebê-la, mas amarga para levar àqueles que sofrerão as consequências
preditas. Isso acontece com todo aquele que prega a Palavra de Deus. É
maravilhoso receber e se alimentar do Evangelho de Cristo, e, ao mesmo tempo, é
duro viver esse Evangelho num mundo que está no maligno. A igreja precisa
interiorizar a Palavra, comer a Palavra e proclamar a Palavra. Ela traz vida e
também o juízo.
João
recebe a ordem de medir o Santuário de
Deus. Os futuristas creem que isso significa que o antigo templo de
Jerusalém será reedificado e usado durante o reino milenar de Cristo na terra. Outros
creem que simboliza a igreja verdadeira, ou seja, todas as pessoas salvas, todos
os verdadeiros filhos de Deus que o adoram em espírito e em verdade. Outra
interpretação identifica o santuário com o povo judeu, que será salvo antes do
fim.
A
pergunta a seguir é uma das mais recorrentes da história do cristianismo: Quem são as duas testemunhas do Apocalipse?
Existem várias teorias sobre a identidade das Duas Testemunhas, tais como:
Enoque e Elias; Moisés e Elias; Josué e Zorobabel; João e Paulo; o Antigo e o
Novo Testamento; a Lei e a Graça; a Igreja e o pregador, etc.
O
comentarista Robert H. Gundry explica que as duas testemunhas provavelmente
ministrarão durante os últimos três anos e meio (1.260 dias ou 42 meses) da
tribulação, porquanto, durante o tempo em que estiverem profetizando, os
gentios “pisarão a cidade santa” (v.2). Não há que duvidar que isso se refira à
perseguição contra a nação judaica, o que ocorrerá na segunda metade do período
da tribulação, depois que o Anticristo houver rompido a sua aliança com Israel
(Dn 9.27).
Os
futuristas geralmente identificam as duas testemunhas como Moisés e Elias, os quais reapareceriam na cena terrestre como representantes
da lei e dos profetas. O retorno de Elias para ministrar a Israel foi
predito por Malaquias 4.5, o que foi confirmado por Jesus (vide Mt 17.11 e Mc
9.12a). Moisés e Elias apareceram juntos no monte da Transfiguração, durante o
primeiro advento de Jesus; e os milagres operados pelas duas testemunhas, em
Apocalipse 11:6, correspondem aos milagres registrados no Antigo Testamento a
respeito de Moisés (transformação da água em sangue e invocação de pragas
contra a terra – Êxodo 7 a 12) e de Elias (o qual feriu seus inimigos com
relâmpago ou “fogo” – II Reis 1.9-12 – e determinou a seca – I Reis 17.1).
Outros
estudiosos identificam as duas testemunhas como Enoque e Elias, as únicas personagens bíblicas que não passaram pela
morte física (por terem sido arrebatadas aos céus) e que, por esse motivo, seriam
enviados à terra, durante a tribulação, a fim de testificarem até morrerem como
mártires. Entretanto, a última geração da igreja também não experimentará a
morte física, em razão do que não precisamos supor que Enoque e Elias teriam
que fatalmente de vir a morrer, a fim de manterem a regra geral da morte
física, como parte integrante da maldição imposta ao pecado. Não precisamos
pensar que, literalmente, terão os dois profetas retornado à terra; mas sim que
dois profetas escatológicos personificarão estes dois grandes profetas, assim
como João Batista personificou “Elias” (Mt 11.14; 17.10-13). Os dois grandes personagens terão as mesmas
características ministeriais de Moisés e Elias, mas não serão Moisés e Elias. Todavia,
terão seus ministérios, em razão de o Espírito de Deus ser o mesmo (Nm 11.16-17,25;
2 Reis 2.9,15; 1 Co 12.4).
Interpretando
de modo ainda diferente de tudo isso, os historicistas veem as duas testemunhas
como uma simbologia. Elas representariam o testemunho coletivo do povo de Deus
sobre a terra, durante o período da tribulação. Portanto, as duas oliveiras
seriam o povo de Deus, gentios e judeus convertidos, formando um só povo
através de Cristo.
Cremos
que naquela época (da Grande Tribulação) Deus levantará dois grandes profetas
dentre os pregadores do “Evangelho do Reino”, um judeu e um gentio. Ambos cheios
de poder e autoridade de Deus, anunciarão a mensagem do juízo com o mesmo poder
e operação de maravilhas demonstrados por aqueles dois grandes homens de Deus,
no tempo em que estiveram na terra.
No
verso sete se faz menção pela primeira vez à besta do Apocalipse (v.7). Deve se
referir à mesma besta do capítulo 13 e do capítulo 17, que estudaremos mais
adiante. Aqui é dito que a besta (o anticristo) irá matar as duas testemunhas.
Observemos que as duas testemunhas só serão atingidas após terem terminado seu
testemunho. Antes disso ninguém conseguirá impedi-las. Isso mostra o propósito
de Deus em todas as coisas. A morte dessas testemunhas servirá de anúncio do
juízo que sobrevirá ao mundo. Os seguidores da besta espalhados pela face da
terra farão festa pela vitória e proibirão que os corpos das duas testemunhas sejam
sepultados (v.9). Os ímpios se alegrarão, por terem morrido aqueles que atormentavam
o mundo com a Palavra da Verdade.
Após
três dias e meio de festas acontecerá algo que abalará o mundo (v11). As duas
testemunhas serão ressuscitadas à vista de todos os inimigos e subirão ao céu
(v.12). Alguns intérpretes veem nessa passagem uma referência ao arrebatamento
da igreja. Logo em seguida haverá um terremoto em Jerusalém que matará 7 mil
pessoas (v.13).
A
sétima trombeta é tocada (v.15). Volta o cenário no céu e encerra-se o
parêntese (pausa) aberto quando se abriu o sétimo selo (Ap 8.1). Os vinte e
quatro anciãos voltam a louvar a Deus no seu trono e anunciam que o Reino de
Deus dominará dali em diante o reino do mundo (v.15-17). O Reino de Deus está
presente, mas ainda não em sua plenitude. Deus sempre reinou. Cristo jamais
deixou de ter todo poder e toda autoridade. Mas, esse poder e essa autoridade
que ele exerce no universo nem sempre se manifestaram. O dia está se
aproximando e o Senhor reinará conforme predito nas Escrituras. Amém!